quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Abro as cortinas do teatro
Para que me vejas
Encenar sozinha o último ato

Busco a emoção no teu amor ausente
Displicentemente esquecido
De simplesmente nascer

Finjo que nunca vejo
Esses teus olhos que só sabem dizer adeus
E sempre dizem

Troco qualquer sabor de sono
Por um minuto de palavras tuas
Porque elas são salgadas e eu gosto de sentir a língua arder

Pinto uma nova imagem tua a cada dia
E permito-me assim
Permanecer criando-te como bem quero

E crio-te em notas
Em músicas de oito minutos e meio
E em meia dúzia de palavras num haicai

Para que existas
Faço qualquer sacrifício
Faço da vida poema e tragédia grega

Faço até sonho
Essa coisa que detesto

Para entender os sinais da tua pele
A preguiça nos teus olhos
E as brancas nuvens por entre teus lábios

Por isso faça-me apenas esse favor
Se tiver que ir, não assista meu ato triste
Como platéia cansada e insolente

Se tiver que ir
Vá logo de vez
E me deixe

Que sozinha
No pequeno hiato entre cada pas de bourré
Te perderei um pouco no fechar de meus cílios

E prometo,
Prometo:
Dessa vez não vou olhar pra trás.
Em meio a esse desagradável e - até então - desconhecido tipo de solidão que se sente numa terra estrangeira, {onde a aridez me sangra as narinas e o coração te sente a cada batida}, de repente me dei conta.
Percebi onde fica o único tipo de lar que preciso.
Bem ali, naquela esquina.
No eixo central, paralela entre a rua do teu braço direito e a rua do teu braço esquerdo.
Lá é o meu lugar.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tu em mim, estação central.
Trem das seis.
Eu, imagem incógnita na tua paragem.
Renego a pele dourada, os cabelos longos e os corpos esguios dessas meninas do litoral.
Mantenho-me a pele branca, os cabelos curtos, o corpo pequeno e essa estranha mania de te dizer sim.
Penso em ti sempre, sempre, entre músicas harmoniosas e o suor sadio das madrugadas.
Perco-me em conversas, perco-me pelas palavras que sublimo ao falar de ti.
Por vezes te digo verdades demais e me arrependo logo em seguida.
Para manter o equilíbrio tão somente meu, tento apagar com novas palavras que aproximam-se do inverossímil.
Leio sinais na tua pele fotográfica em zoom.
Acendo um cigarro e admiro as cinzas por horas seguidas.
Escrevo versos tolos na tentativa de livrar-me do peso de sentir sem definição.
Guardo um pouco da tua imagem por entre as pálpebras e só fecho os olhos quando o primeiro raio de sol anuncia: está na hora de acordar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Amo o sabor de sono do primeiro beijo que me dás pela manhã.
Amo cada gesto que fazes até construir um sorriso inteiro.
Meia-noite eu só penso em dizer sim.

domingo, 7 de novembro de 2010

"É sempre bom lembrar que um copo vazio, está cheio de ar."

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Oh dear, you was such a waste of time.
I don't know your colors,
I don't know your feelings,
I don't know who you are,
I don't know you.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Até ao norte
Até o norte
Até anote
A arte ao norte
A arte anote
A arte é o norte.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Suas palavras e os meus sentimentos não falam a mesma língua.
E embora nosso tempo seja incerto, escasso,
Rezo preces silenciosas, pecaminosas, de não-abandono
Para que te mantenhas, inexato, invisível, aqui.
Irreparavelmente ocupando um espaço, sempre esse espaço
Que te digo que é teu
Mesmo quando não és meu, nunca és
Ainda que não faças parte de mim
Algo meu, é parte tua, te pertence.

Te afasto, te esqueço, apago teus passos
Mas minhas mãos inevitavelmente cavam teu rastro
Não sabes, nunca saberás com exatidão
O que eu escreveria nessas últimas linhas
Se não me houvessem subitamente faltado as palavras
Ao olhar tua fotografia.